Conheça todos os detalhes da nova modalidade!

Em agosto, a Caixa Econômica anunciou a nova linha de financiamento atrelado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Quando comparada a TR (Taxa Referencial), a novidade conta com taxas de juros menores, entretanto, o que parece ser uma vantagem ainda não é o suficiente para convencer os especialistas.

O que é IPCA?

O IPCA indica a taxa de inflação do país, e é calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É medido desde 1979, mas tornou-se o indicador oficial pelo Banco Central apenas em 2000. Com essas informações, é possível elaborar medidas econômicas e políticas monetárias.

Detalhes do financiamento

As taxas da nova modalidade variam de 2,95% a 4,95% mais o IPCA. A novidade é válida para imóveis novos e usados, financiados pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e SFI (Sistema Financeiro Imobiliário). A instituição irá financiar 80% do valor do imóvel, e o prazo é de 30 anos. O valor da parcela inicial é menor, bem como a renda exigida. A linha indexada à TR será mantida com juros entre 8,5% e 9,75% ao ano, e não será possível transitar entre os dois modelos, mesmo que o consumidor mude para outro banco.

O presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, concorda que há um risco nos primeiros cinco anos, período no qual há maiores prestações. Ele ainda reforçou que a TR também oscilava. E parece que a confiança de Guimarães na nova linha contagiou a população: em menos de um mês de lançamento, a CEF teve 2,5 milhões de simulações, aprovou R$ 5 bilhões e conta com R$ 600 milhões sob análise. Os bancos privados, como Bradesco e Itaú, estão elaborando uma linha de crédito imobiliário corrigido pelo IPCA e destinado ao público de alta renda.

O que dizem os especialistas

Em contrapartida, especialistas duvidam da efetividade do financiamento atrelado ao IPCA. Eles acreditam que a inflação é mais instável do que a TR e pode oscilar, consideravelmente, ao longo de 30 anos. De acordo com a Presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva, a “propaganda é enganosa” e que é “necessário fortificar as instituições públicas para que a população seja favorecida”: “Ao invés de lançar políticas que não irão de fato reduzir os juros, o governo deveria fortalecer os bancos públicos. Mas está seguindo o caminho inverso, reduzindo número de funcionários, de agências, aumentando as taxas de juros, fatiando a Caixa e BB para a venda e extinguindo programas sociais”.